Acontece o X Congresso Internacional de Teoria Crítica: Tecnologia, Violência, Memória na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), entre os dias 10 a 14 de outubro deste ano. A data também comemora os 25 anos do Grupo de Pesquisa Teoria Crítica e Educação.
Criado em agosto de 1991, o Grupo de Estudos e Pesquisa “Teoria Crítica e Educação” tem uma trajetória de 25 anos que se caracteriza pela produção coletiva, multidisciplinar e interinstitucional para – com o propósito de atualizar o pensamento da primeira geração dos clássicos frankfurtianos – diagnosticar, buscar o esclarecimento e trazer contribuições teóricas e práticas visando a compreensão das contradições da sociedade tecnológica, imagética e geopoliticamente centrada na hegemonia do capital, na competição mercantilista e na influência da indústria cultural. O GEP Teoria Crítica e Educação vem aprofundando pesquisas relacionadas à educaçã o, à cultura e tem referência na psicanálise, na literatura, na estética, na conjuntura contemporânea e na ação estratégica da cultura digital.
Ao propor o tema “Teoria Crítica: Tecnologia, Violência, Memória” para o X Congresso Internacional, que representa um marco para revisitar as inúmeras produções científicas, como livros, capítulos de livros, traduções, orientações na graduação e na pós-gradução, o GEP Teoria Crítica e Educação pretende debater aspectos ambivalentes relacionados com a tecnologia, que expressa simultaneamente potencial de emancipação e de aprisionamento das condições de liberdade, de expressão e de regressão dos sentidos. Através de suportes técnicos da comunicação, da informática, aplicados à genética, à guerra, à biologia, com implicações na organização das estruturas das sociedades, nas suas ideologias e nas form as de poder político, temos experenciado na sociedade atual dilemas, contradições e incertezas sobre a impessoalidade e aparente neutralidade do uso da tecnologia como força desagregadora de culturas e civilizações, tal como tem ocorrido nos movimentos migratórios em várias regiões do mundo e que apresentam componentes midiáticos capazes de produzir falsas representações. A disseminação das tecnologias digitais em todas as áreas de produção, com a capacidade de ampliar o fluxo de informação, modificar as noções de temporalidade e de espacialidade, com a ocupação de nossos imaginários com realidades virtualizadas, ampliadas e modificadas, sugere reflexão sobre outra dimensão: a da memória. Com o mesmo propósito adorniano que convida a “elaborar o passado”, de modo a diagn osticar a sobrevivência do nazismo, no âmbito da cultura digital, quando tudo que é rapidamente mostrado desaparece praticamente na mesma velocidade, ter memória passou a ser uma condição humanizadora. Ou seja, um dos traços da violência, que resulta do uso da tecnologia como fator de dessubjetivação, está associado a diversas maneiras de comprometimento da memória, como a perda da capacidade de narrar, e com isso não fazer uso da própria razão no sentido kantiano, ou na condição da identidade virtual subverter a relação de pertencimento e de existência. A relativização do sentido de memória feita pelos meios de comunicação quando reelaboram a “história” e produzem presentes perpétuos evidenciam o atual poder da indústria cultural em administrar sentidos, emoçõ es e desejos.
Para maiores informações sobre a programação completa do evento e inscrições: http://www.unimep.br/teoriacritica/









