Em 2023 a Reunião Nacional seguirá na Amazônia brasileira, desta vez em Manaus, a partir de candidatura conjunta de UFAM e UEA ratificadas pela Assembleia Geral
por João Marcos Veiga
A ANPEd encerrou no último domingo (22) sua 40ª Reunião Nacional. O contexto da pandemia impôs a necessidade de construção de um evento online, logo para um congresso que tem como uma de suas principais marcas os encontros presenciais. Mas a Associação fez desse desafio uma oportunidade para chegar a mais pessoas, além dos cerca de 3.500 associados e mais de 2 mil inscritos. Da ampla programação prévia às atividades oficiais foram cerca de 50 transmissões abertas ao público pelo canal do Youtube da Associação, incluindo 37 sessões conversa e especiais, movimentando cerca de 20 mil visualizações. Já na plataforma para inscritos, foram mais de 12 mil acessos às atividades exclusivas, como os 32 minicursos, 53 painéis temáticos, apresentações de trabalhos nos GTs, reuniões e assembleia – as gravações serão disponibilizadas a partir de dezembro.
Mas o maior destaque não é numérico ou referente ao suporte de evento a milhares de participantes e dezenas de convidados nacionais e estrangeiros. A gratificação e legado que esta reunião deixa é de uma integração das diferentes e plurais vozes da Educação, indo ao encontro dos dois temas centrais que nortearam a programação: Amazônia e Paulo Freire.
Com a ampliação da cobertura de vacinação contra a covid-19 no país, parte da diretoria, secretaria, equipe técnica e de comunicação se deslocaram até Belém do Pará, tendo a cidade e a UFPA como sedes simbólica e operacional do evento. Foi de lá que foi se transmitiu a abertura que definitivamente amazonizou a ANPEd com grupos e artistas diversos da região, antecedendo a conferência de Carlos Rodrigues Brandão (acesse a fala na íntegra do antropólogo e professor aposentado da Unicamp).
Presencialmente também foi realizada oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS) em assentamentos do MTST na região amazônica. E foi no meio virtual que essa pluralidade de sujeitos se expandiu ainda mais, com lideranças e pesquisadores de povos indígenas falando ao Brasil diretamente de seus territórios, expondo seus conceitos sem intermediários. “A universidade não é só para formar para a ciência, mas para transformar consciências”, colocou Célia Xakriabá em sessão sobre Epistemologias Decoloniais.
Salientando o papel fundamental das mulheres indígenas, a ativista lembra que “muito antes de ser pátria, o Brasil já era mátria”. Na mesma linha, Joziléia Kaingang destacou na sessão de encerramento do evento: “Nós sempre estivemos aqui. Não precisamos que as pessoas nos dêem vozes, mas que nos dêem visibiliadde”, afirmou, professora da UFSC, na sessão de encerramento. Na mesma transmissão, Miguel Kwarahy Tenetehara Tembé, igualmente da da Associação Multiétnica Wyka Kwara (Pará), deixou claro que “nossa luta é para mostrarmos que os nossos povos não estão extintos. É para apresentar um modelo de sociedade que consegue se construir e se fortalecer sem a destruição da natureza, poluição dos rios ou acabar com os animais” .
Ao longo da programação oficial os 23 GTs trouxeram centenas de apresentações de trabalhos que mostram a força da produção acadêmica em Educação mesmo em tempos de cortes brutais de investimentos públicos – todos os textos já se encontram disponíveis gratuitamente nos anais do evento mesmo antes do encerramento da edição. E em 2023, na 41ª Reunião Nacional, a ANPEd seguirá na Amazônia brasileira, desta vez em Manaus. Em Assembleia Geral, associados individuais e institucionais ratificaram a candidatura da UFAM e da UEA para abrigarem a edição 2023. Confira vídeo de candidatura:









