Nesta terça-feira, 01 de dezembro, é o Dia Mundial do Combate à AIDS. Em função da data, o portal da ANPEd convidou o professor Fernando Seffner, coordenador do GT23 – Gênero, Sexualidade e Educação, para uma reflexão sobre a temática. Seffner atua em pesquisas sobre situações de vulnerabilidade à AIDS, conexões entre direitos humanos e políticas públicas de gênero e sexualidade, teorizações queer, interseccionalidade e marcadores da diferença. Segundo o pesquisador e docente da UFRGS, “há conexões importantes hoje em dia entre educar para a prevenção em AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a educação em e para os direitos humanos”. Ele também salienta que, “historicamente, o trabalho de prevenção a AIDS se construiu em forte diálogo com as noções de emancipação e autonomia de Paulo Freire”.Confira o texto exclusivo de Fernando Seffner, coordenador do GT 23, em função do Dia Mundial do Combate à AIDS
Dia 1º de dezembro é o dia mundial de luta contra à AIDS. A AIDS segue sendo um agravo de saúde importante em todo mundo, e no Brasil inclusive. Especialmente entre os jovens, onde experimenta crescimento entre vários grupos. Tratar de prevenção e cuidados em AIDS é necessariamente abordar temas em gênero, sexualidade e educação. O Brasil tem convivido com movimentos como o “ideologia de gênero” e o “escola sem partido”, que negam o papel da escola na educação em temas como diversidade de gênero e sexualidade, respeito pelas diferentes orientações em gênero e sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos, educação sexual, conexões entre culturas juvenis, cultura escolar e aprendizados para a vida sexual, afetiva e amorosa, conquistas em termos de equidade de gênero e outros.A escola tem hoje em dia um papel muito importante na educação em torno desses temas, todos eles objeto de investigação científica nas várias áreas do conhecimento. Também pelo fato de que é na idade de convívio escolar, que alcança no Brasil dos 4 anos aos 18 anos praticamente, que os jovens e as jovens iniciam sua vida sexual, suas histórias de namoro e eventuais casamento, conforme indicam dados de pesquisas já consolidadas.
Pensamos que no dia de hoje é importante alertar a professoras e professores que cada vez mais as campanhas que lidam com a AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis se valem das estratégias e do linguajar da educação. Não basta comunicar aos jovens informações do tipo “use camisinha” – é necessário empreender ações de educação. Não por acaso, a principal campanha dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil no Brasil tem como tema a pedagogia da prevenção, visando o saber como reinventar a prevenção no século XXI. Exemplos dessas iniciativas que valorizam o linguajar próprio do campo educacional não faltam, como na publicação Pedagocia da Prevenção: Reinventando a prevenção do HIV no século XXI.









