O Fórum Nacional de Coordenadores de Pós-Graduação em Educação (Forpred) divulga o documento final da Reunião Nacional realizada em 2 e 3 de dezembro na Universidade Tiradentes (UNIT) em Aracaju (SE), sob o tema “Presente e Futuro da Pós-Graduação em Educação: Realidades e Desafios”.
Participaram do evento 174 representantes de programas de pós-graduação de todo o país, que discutiram temas considerados “urgentes e necessários” para a pós-graduação em educação, na definição de Andréia Ferreira Silva, coordenadora nacional do Forpred.

“Foram dois dias de debates intensos, com muita participação, em que refletimos sobre temas relevantes para a pós-graduação, em especial na área da educação e em que definimos uma agenda de luta e propostas”, conta a coordenadora.
Nesse sentido, o documento final da reunião aborda os seguintes temas:
– Parecer 331/2024 da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE).
– Programa de Graduação Integrada à Pós-Graduação stricto sensu (GradPG) da Capes, lançado pela Portaria Capes 291/2024.
– Nova proposta de avaliação dos periódicos da Capes.
– Proposta da nova Ficha de Avaliação para o quadriênio 2025-2028, divulgada pela Coordenação da Área da Educação da Capes em 3 de outubro de 2024.
Sobre o Parecer 331/2024 do CNE, que estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação stricto sensu, o documento final analisa que ele “extrapola a regulamentação dos cursos de pós-graduação, propondo, inclusive, mudança na caracterização das universidades, que passariam a ser hierarquizadas em instituições consolidadas e não consolidadas”.
Além disso, o parecer propõe a valorização do doutorado, associada ao “enxugamento” do mestrado, que assumiria um caráter de preparação para o nível seguinte.
Caso venha a ser homologado pelo ministro Camilo Santana, o novo formato do mestrado previsto no parecer pode prejudicar a formação de professores da educação básica, que são a maioria dos estudantes da pós-graduação em educação, pois ele se tornará “aligeirado”, deixando de ser visto como um espaço importante de formação.
Somando-se ao parecer, outro ponto que desperta preocupação é o GradPG, apresentado pela Capes em setembro. Seu objetivo é “encurtar” o caminho do estudante de graduação à pós-graduação, de acordo com critérios como: ter alto rendimento acadêmico, ter cumprido 50% dos créditos obrigatórios da graduação e ter feito iniciação científica por pelo menos 12 meses.
A nova proposta de avaliação de periódicos, apresentada pela Capes, abre a possibilidade de priorizar o próprio artigo ao invés de focar no veículo de publicação científica. As projeções dos impactos para a área de Educação ainda estão sendo feitas pelo Fórum de Editores de Periódicos da Área da Educação (Fepae) da ANPEd.
Porém, o documento final do Forpred registra que “o Qualis é resultado de uma construção coletiva que trouxe avanços significativos, como a unificação entre as áreas, a previsibilidade de classificação dentro do ciclo quadrienal – apesar de algumas mudanças – e a publicação de sua classificação, entre outros aspectos”.
Com relação à Ficha de Avaliação 2025-2028, o documento do Forpred destaca que, embora algumas propostas da área tenham sido incorporadas, há pontos que não foram incorporados e aspectos que precisam ser mais discutidos.
Um desses pontos é a inclusão de Processos Híbridos de Ensino-Aprendizagem (PHEA) como indicador de qualidade dos programas. Apesar de serem importantes, o Forpred chama a atenção para o fato de conceito estar em construção e para a ausência de normatização no Brasil.
Outro aspecto considerado problemático é a manutenção dos artigos acadêmicos como indicador da qualidade da produção intelectual dos estudantes e egressos dos programas – desconsiderando a igual importância dos demais tipos de publicações/produtos.
Como aponta o documento, a área de educação enfrenta desafios particulares nesse âmbito, visto que, ao priorizar produções de alto impacto bibliográfico, o risco é desvalorizar trabalhos que “efetivamente colaboram para o aprimoramento da educação básica e para a formação continuada de professores, especialmente no contexto de programas de mestrado”.





















