reportagem e imagens: João Marcos Veiga
A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) encerrou na última quinta-feira (28) o primeiro evento totalmente presencial da ANPEd Sudeste desde a pandemia. A décima sexta edição da regional científica foi marcada pela organização, qualidade das atividades e participação superando as expectativas, com mais de mil presentes no campus Goiabeiras, em Vitória.
“Pra gente é uma super alegria ver tanta gente, essa circulação de pessoas da região sudeste inteira, valendo de suas pesquisas, de seus trabalhos, trocando e ouvindo”, celebrou Sandra Kretli (UFES), organizadora local do evento.
Da abertura ao encerramento, o auditório do Teatro Universitário testemunhou debates e falas de suma importância para um balanço e compreensão do cenário atual e histórico da educação no país.
Com a presença da reitoria da UFES, Secretaria de estado de Educação e presidência da ANPEd, a prestigiada mesa de abertura foi sucedida por conferência proferida por Dalila Andrade (UFMG), ex-presidenta da Associação. Atualmente diretora de cooperação internacional, institucional e inovação do CNPq, a pesquisadora mostrou o alcance dos diferentes programas da agência, a importância de documentos como PNPG e desafios da área, sobretudo a desigualdade estruturante do país.
Já o encerramento, no mesmo local, foi marcado pela emoção. Sessão de homenagem prestou reconhecimento à trajetória da professora Nilda Alves (UERJ), também ex-presidenta da ANPEd. Na sequência, Ligia Aquino (UERJ) realizou a conferência final sobre os 60 anos do golpe de 1964, trazendo reflexões históricas e de impactos na educação, igualmente jogando luz sobre a própria família, diretamente atingida pelo estado de exceção e suspensão de direitos no país. Fechando com chave de ouro, o Balé da Ilha impactou os presentes com apresentação de alta qualidade técnica e artística.
Espelhando a região com o maior número de programas de pós-graduação em Educação, 58 ao todo, a programação trouxe sessões especiais e painéis temáticos com importantes pesquisadoras/es do ES, MG, RJ e SP, abordando temáticas diversas como financiamento, Plano Nacional de Educação, ética, perfil de egressos, ações afirmativas e educação básica.
Coordenador do Forpred Sudeste, Wagner dos Santos (UFES) destacou a construção coletiva do encontro, a partir da “formação de comissões local e do próprio Fórum para encaminhamentos”. Por sua vez, a vice-presidente da ANPEd pela região Sudeste, Rosa Chaloba (Unesp), chamou a atenção para a participação de docentes da rede pública do estado e dos institutos federais no encontro. “Estamos bem contentes com o resultado”, afirma a pesquisadora.
Nos Grupos de Trabalho e Grupos de Estudo, tanto experientes quanto jovens pesquisadores aprofundaram o debate em torno da produção científica atual. Esta edição contou com as primeiras atividades dos GEs de Cotidianos, de Corpo e Educação e de Educação e Povos Indígenas – nesta sobressaia o intuito de ressignificar o próprio espaço tradicional de encontros do tipo, com aromas e chás amazônicos circundando os presentes.
“Pra mim, uma mulher negra que vem da periferia, poder estudar já é algo muito grandioso, uma luta. Poder me associar à ANPEd e fazer parte deste encontro, dessa troca de saberes, de escutar outras pessoas e trazer o trabalho que eu produzo, juntamente com o meu grupo de pesquisa, é algo muito bom Como mulher pedagoga, educadora, pesquisadora, aqui é o espaço de fortalecer minhas identidades, uma forma de também ocupar este espaço”, avalia Verilucy Pinheiro Brito, pós-graduanda da UFES campus São Mateus e associada presente ao evento.
Na programação paralela, além de lançamentos de livros, foram exibidos filmes de pesquisa, produzidos destacadamente por mulheres, ampliando as linguagens para a investigação e divulgação do campo, em diálogo com o cinema e com a realização de iniciativas do tipo na ANPEd, a exemplo do Curta ANPEd nas reuniões nacionais.
A ANPEd Sudeste também também teve como destaque a programação cultural, com apresentações de coral, orquestra de violões, grupo de chorinho, Congo, Serenata de Favela e Balé da Ilha, valorizando a rica produção artística brasileira em diálogo com o cânone internacional, enaltecendo nossas matrizes africanas, indígenas e de expressão das comunidades.
Ao longo de todo o evento igualmente se destacou o trabalho realizado por monitoras e monitores voluntários – alunas e alunos da instituição que receberam o devido reconhecimento na sessão de encerramento.









