Revista Resenhas Educativas lança “Memórias Acadêmicas” de Vitor Paro

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A revista Education Review/Resenhas Educativas, editada pela ANPEd e o Mary Lou Fulton College for Teaching and Learning Innovation da Universidade do Estado do Arizona (Estados Unidos), lançou uma nova edição da seção Legados Pedagógicos sobre a trajetória de Vitor Paro, intitulada Memórias Acadêmicas.

Legados Pedagógicos é a versão em português de Aquired Wisdom, seção da Education Review/Resenhas Educativas dedicada à publicação de depoimentos, memoriais e reflexões de pesquisadores experientes sobre suas vidas e trajetórias de pesquisa, que possam inspirar novas gerações de pesquisadoras/es.

Vitor Paro é professor emérito da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado em Educação pela USP, doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e livre-docência em Educação pela USP. Foi pesquisador sênior na Fundação Carlos Chagas e professor titular na PUC-SP. Atualmente, é professor titular (Colaborador Sênior) da Faculdade de Educação da USP, onde exerce a pesquisa, a docência e a orientação na pós-graduação. É coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração Escolar (Gepae).

Ele é conhecido pela sua produção acadêmica no campo das Políticas Educacionais e Administração de Unidades Educativas e como autor de 20 livros, entre eles “Reprovação escolar: renúncia à educação”, “O Capital para educadores” e “Crítica da estrutura da escola”.

“O compromisso com a educação como transformação social é, na minha concepção, o maior e mais importante destaque da obra de Vitor Paro”, analisa Karine Morgan (UFF), editora da Education Review no Brasil.

Esse compromisso, observado por Karine, se fez presente ao longo de sua vida pessoal e acadêmica. Nascido em Colina, no interior de São Paulo, Paro viveu na zona rural até os 19 anos, quando se mudou para a capital do estado a fim de fazer o colegial (atual ensino médio). Inicialmente, seu desejo era cursar engenharia ou arquitetura, mas sua trajetória até então – entre o ambiente familiar católico e o apego ao saber e ao conhecimento (além do desejo de mudar o mundo) – o levaram aos bancos da Faculdade de Educação da USP.

Do curso de Pedagogia, no qual frequentou as habilitações de Administração Escolar e Inspeção Escolar, Vitor Paro chega à pós-graduação com o olhar voltado para a política educacional. Defendeu sua dissertação de mestrado, “O sistema regular de ensino e a formação de recursos humanos, no Brasil” na USP, onde já lecionava. Ele também atuou como docente da PUC – São Paulo, numa época em que a instituição contava como nomes como Miriam Warde, Paulo Freire e Demerval Saviani – que se tornou seu orientador no doutorado, ao lado de Bernadete Gatti.

Foi no doutorado, com o projeto de tese “Diretor escolar, poder político e mudança social”, que Vitor Paro teve contato com o pensamento marxiano, direcionando sua trajetória intelectual. “A tese acabou servindo, em boa medida, como uma espécie de mapeamento teórico passível de ser desenvolvido e aprofundado em futuras pesquisas empírica”, relata Paro.  Entre elas, estão estudos sobre a escola em tempo integral, participação popular na gestão da escola pública, a contribuição dos pais para a qualidade do ensino – sempre numa perspectiva crítica, tendo em vista a intervenção consciente e transformadora.

“Um dos aspectos mais relevantes no legado de Vitor Paro é seu rigor teórico e sua postura de intelectualidade crítica. Sua trajetória acadêmica demonstra um esforço contínuo em superar concepções tradicionais e ingênuas sobre a administração escolar e a educação, apoiando-se em bases teóricas sólidas como o materialismo histórico de Marx e a filosofia política de Gramsci”, destaca Karine Morgan.

Nesse sentido, continua ela, “Paro enfatiza a necessidade de que o pesquisador se aprofunde teoricamente, não se satisfazendo com leituras superficiais ou senso comum acadêmico”.

A concepção de docência dialógica e humanizadora é outro ponto que merece destaque, na percepção da editora da Education Review/Resenhas Educacionais. “Ao longo de sua carreira, Paro construiu uma prática pedagógica voltada para o diálogo, a participação e a responsabilidade crítica dos estudantes. Rejeitando a lógica da reprovação como mecanismo de controle, ele apostou na construção coletiva do conhecimento, estimulando a autonomia intelectual e o comprometimento social dos aprendentes”.

Nessa medida, para Paro, “ensinar é, antes de tudo, criar condições para que os estudantes se apropriem criticamente da realidade, desenvolvendo a capacidade de pensar, agir e transformar o mundo em que vivem”, conclui ela.

Leia as Memórias Acadêmicas de Vitor Paro.

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