Uma plateia lotada, calculada em 2,5 mil pessoas, acompanhou a abertura da 42ª Reunião Nacional da ANPEd & WERA Focal Meeting 2025 no teatro Pedra do Reino, em João Pessoa (PB).
O evento ocorreu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), de 26 a 30 de outubro, e teve como tema “O neoconservadorismo no mundo e a educação frente às violências sociopolítico-ambientais”. Teve a participação de cerca de 4 mil pesquisadoras/es/us, professoras/res/rus e estudantes das cinco regiões brasileiras e de 58 países.
Embalada e encantada pela Orquestra Armorial Ariano Suassuna do Colégio Marista Pio X, que abriu a cerimônia, a plateia já podia sentir o que viria pelos quatro dias de evento: intensos e relevantes debates sobre o papel da educação e da pesquisa na área para a uma sociedade na qual o conhecimento e a solidariedade sejam possíveis, em meio ao avanço do neoconservadorismo e a disseminação de diversas formas de violências.

Após a participação da orquestra, que executou peças de Antonio Nóbrega e Jacob do Bandolim, entre outras, foram exibidos os tradicionais vídeo-homenagem às pessoas associadas que faleceram desde dezembro de 2023 e o vídeo institucional sobre o biênio 2023-2025. A novidade ficou por conta da apresentação do sinal da ANPEd em Libras, criado por Thiago Ribeiro, professor do Instituto Nacional de Ensino de Surdos (Ines).
42ª Reunião Nacional: ampliar e incluir
Em uma fala emocionada, a presidenta da ANPEd, Miriam Fábia Alves, agradeceu a presença de todas as pessoas, os apoios que viabilizaram a realização do evento e as parcerias que possibilitam avançar nas diversas lutas envolvem a atuação da ANPEd.
Citando algumas das entidades científicas do campo da educação, os Grupos de Trabalho e Grupos de Estudo, além das instâncias que integram a ANPEd, Miriam reiterou que a fortaleza reside justamente nessas parcerias, “porque juntos somos mais fortes” – afinal são muitos os desafios.
“Como avançar o campo da pesquisa e da pós-graduação para a internacionalização, mas também para a interiorização, para a melhoria dos nosso programas, para o financiamento? Como contribuiremos para a inclusão de mais pessoas na pós-graduação neste país? Como fazer com que o Plano Nacional de Educação e o Plano Nacional de Pós-Graduação estejam o epicentro das políticas educacionais?”, questionou a presidenta da ANPEd.
Temas esses, complementou Miriam, incluídos nos debates da 42ª Reunião Nacional & WERA Focal Meeting, provocando reflexões e, possivelmente, propostas de soluções. “Nesse movimento, a ANPEd, ao longo de seus 47 anos de existência, crescendo e ocupando espaços de protagonismo e de disputa pelo direito à educação e à pós-graduação como direito de todas as pessoas brasileiras”, reforçou.
Citando os grandes números do evento – 1.513 trabalhos apresentados, 26 minicursos e 7 oficinas para docentes da educação básica, além de 549 trabalhos apresentados via WERA -, Miriam chamou a atenção para o esforço de ampliar e incluir, que caracterizou a reunião de João Pessoa.
Ela citou também o edital de ações afirmativas da reunião, que garantiu ajuda de custo a estudantes e foi financiado por diversas secretarias do MEC, e o apoio de agências de pesquisa (Capes, CNPq e Faperj), da Secretaria de Estado da Educação da Paraíba, Secretaria Municipal de Educação de João Pessoa e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação da Paraíba.
Para caracterizar o esforço de inclusão, luta por garantia de direitos e justiça social da ANPEd, Miriam “tomou emprestadas” as palavras da poeta paraibana Aline Cardoso, nascida e criada na periferia de João Pessoa: “Escrevo porque antes de mim não podiam fazê-lo. Escrevo por reparação e por bem viver, por dignidade, liberdade e fúria”.
Um esforço, enfatizou Miriam, que não se limita à atual gestão, mas vem de gestões anteriores, especialmente a de Geovana Lunardi, no sentido de fortalecer o processo de internacionalização, que resultou na realização da 42ª Reunião Nacional em conjunto com o WERA Focal Meeting e na aproximação com a Associação Latino-Americana de Investigação em Educação, a ALIE.

WERA e ANPEd juntas: trabalho coletivo
A presidente da WERA (World Education Research Association), Liesel Ebersöhn, também saudou o esforço coletivo
que possibilitou o evento, traduzido por ela na palavra “simunye”, originária de línguas africanas e que significa “nós somos um”.
“Esse maravilhoso evento aconteceu porque trabalhamos juntas/os/es, possibilitando que 4 mil pessoas de 58 países e de comunidades científicas de diversas partes do mundo se reunissem aqui em João Pessoa. Como indivíduos não conseguiríamos fazer isso. Portanto, a WERA diz: obrigada”, disse Liesel.
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A pesquisa frente ao neoconservadorismo
Saudando a diversidade presente na plateia, a coordenadora local do evento, Edneide Jezine, enfatizou a importância da Reunião Nacional da ANPEd acontecer no Nordeste e no atual momento de ataques à pós-graduação e à ciência.
“Não podemos permitir o retorno ao fascismo e ao negacionismo da educação brasileira e da ciência. Por isso, esta reunião e ANPEd são importantes, pois representam a educação e a ciência brasileiras. É responsabilidade nossa pensar a temática do neoconservadorismo e violências, que são muitas”, afirmou Edneide.
Nesse sentido, Mônica Nobrega, vice-reitora da UFPB, citou o fato de a universidade e a Universidade Federal de Campina Grande (UFPB), coorganizadora do evento, terem sofrido intervenção no governo passado, pois foram geridas por pessoas não eleitas, assim como em 26 instituições federais no Brasil. “Não foi pouca coisa, mas enfim caminhamos juntas na recuperação da democracia nas nossas universidades”. Referindo-se à palavra “simunye”, compartilhada por Liesel Ebersöhn, a vice-reitora saudou o trabalho coletivo que resultou no evento.
A presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, chamou a atenção para um dos aspectos do projeto do neoconservadorismo: minar a universidade e a ciência.
Por isso, segundo ela, é essencial fortalecer o movimento social e enfrentar, de maneira firme, as violências por meio da educação. “Não há ciência sem liberdade, não há educação sem diversidade. A ciência e a educação precisam ser entendidas com um bem público para a democracia”, reiterou.
Por sua vez, Dalila Andrade Oliveira, diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), enfatizou a importância de a reunião nacional da ANPEd ser realizada em diferentes localidades – decisão que foi tomada na gestão de Dalila como presidenta da associação.
“Este é o encontro mais importante da área da educação do ponto de vista acadêmico e científico, que circula pelo país, pela diversidade e diferenças, possibilitando maior participação de todas as pessoas”, comentou.
Para Gregório Grisa, secretário de Articulação Intersetorial e com o Sistema de Ensino (SASE) do Ministério da Educação (MEC), o tema do evento é “atual, pujante e essencial para o contorno de país que a gente quer dar”.
O presidente da Conferência Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Fórum Nacional de Educação (FNE), Heleno Araújo, reiterou a importância da democracia, que vem sendo “traída” em vários países e lembrou a atuação conjunta da CNTE e da ANPEd na coordenação do FNE. “Essa ação conjunta, ligando a academia, a pós-graduação, conosco, trabalhadoras e trabalhadores da educação básica precisa ser efetivada de forma mais forte para dar um basta aos ataques que estamos sofrendo a cada dia”, argumentou Araújo, que também integra o Conselho Nacional de Educação (CNE).
Representando o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, a professora Clévia Carvalho, da rede municipal da capital paraibana, chamou a atenção para a importância do diálogo entre universidade e escola pública. “Nós da educação básica também produzimos saberes e práticas importantes e inovadoras, que transformam vidas”, argumentou a docente, lembrando a participação de 150 professoras/es/us da educação básica nas oficinas oferecidas no evento.
Também participaram da solenidade Fernanda de Lourdes Almeida Leal, vice-reitora da Universidade Federal de Campinas Grande (UFCG); Adriana Diniz, diretora do Centro de Educação da UFPB; Rubens Freire Ribeiro, secretário executivo da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior da Paraíba; Ângelo Ricardo de Souza, coordenador de Área da Educação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); Marcia Ângela Aguiar, presidenta da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj); Rafael Honorato, representando as coordenações de Grupos de Trabalho e Grupos de Estudo da ANPEd; Andreia Ferreira da Silva, coordenadora nacional Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação (Forpred); Rosimeire de Oliveira Dias, coordenadora nacional do Fórum de Editores de Periódicos da Área de Educação (Fepae); Marcelo de Andrade Pereira, coordenador do Comitê Científico da ANPEd; e Elizeu Clementino de Souza, editor da Revista Brasileira de Educação (RBE).
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