(Atualizado em 25/2/2026)
Fortalecer as políticas de formação continuada, assegurar a continuidade das políticas educacionais, dar mais visibilidade às boas experiências nas escolas públicas, ampliar a interlocução com a pesquisa educacional e garantir mais espaço e interlocução com os fóruns de educação nos três níveis de governo.
Esses pontos foram defendidos por Miriam Fábia Alves, presidenta da ANPEd e vice-coordenadora do Fórum Nacional de Educação (FNE), em mesa do “Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro”, realizado em Brasília (DF), nos dias 23 e 24 de fevereiro.
O evento, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), contou com parceria da ANPEd, dentre outras organizações. Reunindo representantes de governo, organizações sociais e pesquisadores, o evento enfocou os desafios e avanços na alfabetização de crianças na América Latina. Um dos objetivos foi articular uma agenda regional de cooperação em alfabetização.
A presidenta da ANPEd participou da mesa Mobilização Social e Política para a Garantia do Direito à Alfabetização, realizada no primeiro dia do evento, a partir das 17h15. O painel debateu sobre a experiência de mobilização social e política em torno da agenda da alfabetização em diferentes países.
Também participaram do evento pessoas pesquisadoras dos GT 10 – Alfabetização, Leitura e Escrita, GT 07 – Educação de Crianças de 0 a 6 anos e GT 13 – Educação Fundamental da ANPEd, além de representantes da Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf) e Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE). Também participaram representantes da Rede Latino-Americana de Alfabetização (REDALF).
Em sua fala, Miriam destacou que as pesquisas mostram a necessidade de fortalecer a formação no cotidiano, ou seja, a formação continuada, e o trabalho colaborativo com as universidades neste contexto. Ressaltando que são, principalmente, as mulheres que estão na escola – as quais estão submetidas a uma sobrecarga de trabalho e de papeis na vida profissional, social e privada -, Miriam alertou para a importância de as redes de ensino assumirem a responsabilidade por criar condições para que as professoras possam se dedicar à própria formação.
“Devido à sobrecarga, é muito comum que as professoras, essas mulheres corajosíssimas, façam mestrado, doutorado ou especialização em condições desumanas”, denunciou a vice-coordenadora do FNE. Para ela, um dos caminhos para melhorar as condições para que as professoras/es/us possam se dedicar à formação é articular melhor o poder da sociedade civil para pleitear formação de qualidade.
Quanto à superação da tendência à descontinuidade das políticas educacionais, Miriam Fabia disse que novo Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Senado, pode ser um instrumento importante para promover a articulação e sustentar as ações no campo da alfabetização ao longo do tempo.
Nesse contexto, Miriam considera essencial a atuação dos fóruns de educação nos três níveis de governo, em especial no municípios. “Os fóruns são espaços plurais e de disputa. E tem que ser assim, porque não existe consenso com relação aos rumos das políticas de alfabetização”, destacou.
Ao lado dos fóruns, Miriam defende uma maior articulação e incidência da sociedade civil para a proposição de políticas no campo da educação e de responsabilização em relação às condições de oferta de formação continuada às/os/es professoras/es/us.
Assista à mesa Mobilização Social e Política para a Garantia do Direito à Alfabetização (início em 2:31:31):
A programação completa pode ser conferida no site do Ministério da Educação (MEC), que promove o evento. Todas as mesas estão disponíveis no canal do MEC no YouTube.
O encontro internacional se insere no contexto do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, iniciativa do MEC em regime de colaboração entre União, estados e municípios. A meta do Ministério da Educação é que todas as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, conforme parâmetros estabelecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).









