O professor Carlos Roberto Jamil Cury foi homenageado por seu aniversário de 80 anos e pelos seus 60 anos de docência em solenidade realizada na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) nesta terça-feira (19/5).
Filósofo de formação, Jamil Cury é considerado um dos principais pensadores da educação brasileira, destacando-se por suas contribuições no campo do direito à educação, ensino e aprendizagem e a formação humana. É professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor adjunto da PUC-Minas, onde atua na graduação e pós-graduação.
A cerimônia foi marcada por falas de agradecimento e elogiosas à generosidade, ética e valiosa contribuição de Jamil Cury para a pedagogia no Brasil e internacionalmente.
Entre as pessoas que participaram da mesa da abertura, está a presidenta da ANPEd, Miriam Fábia Alves. Num discurso emocionado – tom que marcou a homenagem -, Miriam rememorou a trajetória de Jamil Cury como “ANPEdiano histórico”, na condição de integrante do grupo que organizou a entidade em 1983. Na ocasião, ele presidiu o debate sobre as diretrizes da entidade e o processo eleitoral para a escolha da diretoria do biênio 1983-1985.
Agradecendo-o pela sua atuação na Associação e por suas contribuições à pesquisa e ao debate educacional, Miriam destacou o volume de sua produção intelectual e a maneira como ele transita no campo. “Cury sempre foi referência, inspiração, de como transitar pelos dois universos com a competência, o rigor e a leveza que nos ensina sempre”, destacou a presidenta da ANPEd.
A cerimônia também foi marcada pelo lançamento de um livro sobre o intelectual, “Carlos Roberto Jamil Cury e a Educação Brasileira”, organizado por Luciano Mendes Faria Filho, Sheilla Brasileiro e Teodoro Zanardi. A obra, lançada pela editora PUC Minas, conta com artigos sobre sua atuação como intelectual, professor, orientador e analisam seu papel como militante, seu compromisso com o direito à educação e sua atuação nos órgãos de fomento à pesquisa, Capes e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e sua produção intelectual.
“São pessoas que falam de diferentes lugares sobre suas vivências com Cury. Da perspectiva da pesquisa, da docência, da legislação educacional, das políticas públicas, da metodologia de pesquisa, da filosofia, mas sobretudo sobre o grande ser humano que ele é”, enfatizou Sheila Brasileiro durante sua apresentação do livro. A obra foi entregue em primeira mão a Cury.
Em seus agradecimentos, o educador enfatizou, citando Aristóteles, que numa homenagem, a honraria maior é daquele que a concede do que daquele que a recebe. Assim, expressou sua homenagem às educadoras e educadores das duas universidades onda atua, a PUC-Minas e a UFMG – que promoveram o evento.
Cury também falou sobre a educação enquanto um processo de reeducação.
“Em minha vida comecei a ser educado e reeducado pelos mais próximos. Em primeiro lugar uma reeducação com relação a uma masculinidade com laivos de uma cultura machista. Reeducação levada adiante por minha esposa Maria Zilda. Com ela aprendi que ser igual não implica na perda da diversidade. Toda redução de privilégios implica numa perda de um lado e uma conquista de direito de outro. Mas depois vêm os ganhos da complementaridade e da participação”, disse.
Destacou, então, cabe aos “entes humanos” abrir passagem às barreiras imposta. Nesse sentido, a cultura do machismo e as outras formas de preconceito e discriminação não ampliam os espaços de liberdade – ao contrário, aprofundam a visão do outro como inferior, submisso ou estranho.
“Por isso continuo defendendo, os seres humanos podem se reeducar para melhor. Senão, como continuar a ser educador e defender a educação como direito?”, questionou. “E reeducar para melhor se faz com uma educação que transforma as condições circunstanciais para melhor e as condutas dos sujeitos nelas implicados”.
Ele também falou da importância da educação das crianças, “pilares do mundo”, enquanto acolhimento das crianças num mundo que as antecedeu, na definição de Hanah Arendt. E da educação como um ato de “emersão do sujeito para uma tomada de consciência que o impulsione a participar dos destinos da sua comunidade”.
Percorrendo a história recente da educação brasileira, Cury chamou a atenção para as persistentes desigualdades, criticou a formação aligeirada oferecida pelas graduações e licenciaturas a distância e reafirmou a importância de continuarmos na luta por uma educação de qualidade, igualitária e diversa.
Assista à homenagem na íntegra:









