Dia da Amazônia: manifesto em defesa da vida, da diversidade e da floresta em pé

Destaque[1]

No Dia da Amazônia, comemorado em 5 de setembro, a ANPEd expressa sua solidariedade aos povos da região que vêm enfrentando secas cada vez mais intensas e reforça seu compromisso com a resistência e a luta pela manutenção da floresta em pé e dos modos de vida tradicionais que caracterizam o território.

De 11 a 13 de setembro, será realizada a 5ª ANPEd Norte, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. O evento, que reunirá pesquisadoras, pesquisadores, professoras, professores e estudantes de ensino superior será uma ocasião para unirmos vozes e forças em torno de uma educação e uma vida com qualidade e dignidade para todas e todos.

Nesse sentido, nos unimos ao pesquisador Rossini Pereira Maduro, do povo indígena Borari, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Amazônia da Rede Educanorte e associado da ANPEd, que fez a declaração a seguir num vídeo publicado no Instagram da associação:

Neste dia 5 de setembro, n ós comemoramos o Dia da Amazônia. Eu falo aqui na condição de membro de um dos muitos povos que habitam o solo sagrado amazônico e que tem testemunhado, infelizmente, como as ações humanas nos últimos tempos têm agido com tanta crueldade sobre a Amazônia.

No ano passado, nós vivenciamos a estiagem mais severa de toda a nossa história. Estiagem essa que vem acompanhada de inúmeros casos de incêndio, de inúmeros focos de incêndio, que trouxeram fumaça, que cobriram o céu de nossas aldeias, de nossas vilas, de nossas cidades, de muita fumaça.

Então nós precisamos falar dessas e de muitas outras ameaças que aparecem sobre a Amazônia, como ameaça do garimpo, ameaça do desmatamento, e muitas outras formas de ameaça que avança sobre a Amazônia. Mas nós precisamos falar também sobre a resiliência, sobre a resistência, sobre a potência de existir dos muitos povos que habitam a região amazônica.

Nós precisamos compreender que a Amazônia é constituída de corpos da diversidade. São corpos constituídos por ancestralidades. São corpos indígenas, corpos quilombolas, corpos ribeirinhos. São corpos dos povos das águas, dos povos da floresta. E esses corpos precisam ser ouvidos, inclusive ouvidos em espaços onde historicamente têm sido invisibilizados, como os espaços acadêmicos.

O mundo precisa nos ouvir, pois se ouvirem nossas vozes estarão ouvindo a voz da própria mãe Amazônia. São nossas vozes que salvarão a Amazônia do fim. Porque nós estamos defendendo a Amazônia, somos a Amazônia defendendo a si mesma.

Portanto, viva a Amazônia viva!

Kuekaturete [Obrigado]

 

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