Os Grupos de Trabalho (GTs) foram instituídos pela ANPEd em 1981, durante a 4ª Reunião Anual, realizada em Belo Horizonte (MG). Eles se caracterizam como lócus de discussão e troca de opiniões sobre resultados de pesquisas; seleção de problemas relevantes; experiências metodológicas; intercâmbio de informações bibliográficas, de estudos e trabalhos realizados.
O GT História da Educação nasceu por proposta de Luís Antônio Cunha em 1984, na 7ª Reunião Anual, em Brasília. Estavam presentes os pesquisadores: Maria Marcia Leporace Farret, Zuleide Araújo Teixeira, Eva Pereira, Lucia Rocha (Brasília); Manoel de Vasconcelos Motta (Mato Grosso); Clarice Nunes, José Silvério Baia Horta (Rio de Janeiro); Ester Buffa (São Carlos/SP), a quem foi atribuída provisoriamente a coordenação. Nessa ocasião estabeleceu-se como objetivos do GT o “estudo da questão metodológica relativa à História da Educação”, que envolveria, entre outras coisas, o conhecimento das fontes existentes. O grupo pensou em uma “Bibliografia básica em História da Educação no Brasil”, como o primeiro e importante passo (Boletim ANPEd, v.8, n.1, jan-mar. 1986, p.18-19).
De acordo com a coordenadora Ester Buffa, em seu relato sobre o primeiro encontro (8ª Reunião/São Paulo, 1985), “ao GT de História da Educação se atribuiu a função de troca de experiências e de discussão das produções científicas de seus participantes”. O modelo adotado, nos primeiros eventos, foi a realização de painéis, com um trabalho apresentado e dois debatedores. O painel intitulado “História da educação ou educação pela história?”, que teve como expositora Eliane Marta Teixeira Lopes (UFMG), inaugurou essa sistemática e teve como debatedores Miguel G. Arroyo (UFMG) e Ester Buffa (UFSCar).
Para Eliane Marta Teixeira Lopes (UFMG/MG), “em relação à organização, as dificuldades enfrentadas pelo GT é o problema de juntar pessoas que estão trabalhando com o assunto, mas enfocando-os através de temas específicos e diferentes. Uns trabalham com Ensino Superior, outros com História da Alfabetização ou com Educação e Trabalho, ou com o problema da educação nas constituições brasileiras. (…) Por outro lado, a questão histórica não deve estar ausente dos outros GTs. Nesta perspectiva, GT História da Educação pudesse reafirmar a História como solo comum em que as outras problemáticas se articulam” (Boletim ANPEd, v.8, n.1, jan-mar. 1986, p.18-19).
Em 1986, o GT já contava com 30 participantes e esse número aumentou ao longo dos anos. Em 2013, na 36ª Reunião Anual, contou com 157 participações. Seguindo a orientação geral, adota a sistemática de apresentação de trabalhos/comunicações e pôsteress. De 1985 a 2013, foram apresentados 258 trabalhos e 103 pôsters (Quadro 2).
Segundo Nunes (2005, p.65), o processo de seleção dos trabalhos apresentados nas reuniões anuais foi de responsabilidade exclusiva dos coordenadores dos GTs até 1991. “Com uma quantidade limitada de trabalhos inscritos, usufruímos uma efetiva possibilidade de discussão das pesquisas apresentadas, inclusive com o convite a colegas pesquisadores não vinculados à Anped para apresentação das suas investigações de acordo com temas de interesse do grupo”. Além das reuniões anuais, os estágios de intercâmbio , patrocinados pelas agências financiadoras, também proporcionavam a discussão de temas específicos.
Em 1991, a coordenadora Clarice Nunes, no relatório da 14ª Reunião Anual, assinala que a identidade do GT, “construída paulatinamente desde a sua criação, passa, de um lado, pela discussão que trava no campo da teoria e a empiria e, de outro, pela pesquisa de fontes para a história da educação brasileira, (…) as quais contribuem decisivamente para construir e redefinir o próprio campo” (Boletim ANPEd, n.1-2, jan-dez. 1991, p.13).
Para Cattani & Faria Filho (2002, p. 118), “ao findar a década de 1980, o GT já estava estabelecido como lugar de produção da história da educação brasileira, ancorado por um grupo que crescia rapidamente e representava os principais programas de pós-graduação do país. (…) A diversificação temática, das fontes e dos referenciais passa a constituir uma das marcas de pesquisas postas em circulação pelo GT”.
A partir de 1992, no âmbito da ANPEd é instituído o Comitê Científico para a seleção dos trabalhos e pôsteres, após avaliação pelos consultores ad hoc designados pelos GTs. Inicialmente, não havia um representante por GT por indicação do próprio grupo, somente a partir dos anos 1990 passa a ser a norma (Quadro 3 e 4).
Além das apresentações, cada GT encomenda trabalhos (Quadro 5), realiza minicursos (quadro 6) e exposições temáticas (Quadro 7).
Desde sua criação, O GT tem dado significativa contribuição para a circulação do conhecimento produzido, publicando inúmeros estudos e pesquisas, especialmente na década de 1980 e 1990 (Quadro 8). O Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação (1996) nasce no GT, tendo por tradição compor a comissão organizadora e o comitê científico nacional do evento. Também participou efetivamente na criação da Sociedade Brasileira de História da Educação, em 1999.
Carvalho (2000, p.928) considera que a criação do GT configurou-se como “uma espécie de fórum permanente de discussão das questões de história da educação” e deu oportunidade a que pesquisadores vindos de todas as regiões do país se reunissem para apresentar e discutir o resultado de suas pesquisas. “As sessões dos debates colocavam em circulação a nova produção historiográfica oriunda dos Programas de Pós-Graduação em Educação, o que fez com que o grupo de trabalho funcionasse como uma espécie de ‘caixa de ressonância’ da produção saída das universidades”. Desse modo, o grupo difunde uma nova historiografia, estendendo sua influência para vários centros de ensino e pesquisa brasileiros (Cattani & Faria Filho, 2002).
Referências
ANPED. https://novo.anpeddev.com.br/news/memoria-anped-boletins-historicos-1979-1991.
CATANI, Denice Barbara; FARIA Fº, Luciano Mendes de (2002). Um lugar de produção e a produção de um lugar: a história e a historiografia divulgadas no GT História da Educação da ANPEd (1985-2000). Revista Brasileira de Educação, n. 19, jan/fev/mar/abr. p.113-128.
CARVALHO, Marta Maria Chagas de (1995). O GT História da Educação: um breve histórico. In: ANPED. Histórico dos Grupos de Trabalho, Belo Horizonte, p. 53-56.
CARVALHO, Marta Maria Chagas de, (2000). L’histoire de l’éducation au Brésil: traditions historiographiques et processos de rénovation de la discipline. Paedagogica Historica – International : Jornal of the History of Education, v. 36 nº 3, p. 909 – 933.
GONDRA, José Gonçalves (Org.) (2005). Pesquisa em História da Educação no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
LOURO, Guacira Lopes (1992). Grupo de Trabalho de História da Educação: histórico, avaliação e perspectivas. In: ANPED. Histórico e avaliação dos grupos de trabalho. p. 1-5.
NUNES, Clarice (1991). Uma história em construção. In: ANPED. Documento de discussão de balanço de gestão (mimeo).
NUNES, Clarice (2005). Interrogando a avaliação de trabalhos de História da Educação: o inventário de uma prática. In: GONDRA, José Gonçalves (Org.) (2005). Pesquisa em História da Educação no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. p. 63-83.
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